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Têxtil: Um Lugar (in) Comum 

 

O meu trabalho como artista plástica e investigadora assenta na ideia de uma tecelagem contínua entre a investigação e prática artística. Considero a minha investigação guiada pela prática, identifico um conhecimento incorporado e um contexto performativo da investigação.  A partir da materialidade do têxtil convoco  outras dimensões ligadas à experiência do lugar que se prendem com sua invisibilidade, com as   tecnologias em desaparecimento e esquecidas,  relacionando-as com uma ecologia do sensível.

Interessa-me trabalhar não só com o meio formal e estético do têxtil, mas também com os campos que ele convoca e que o ligam à antropologia e arqueologia e etnobotânica. 

 

Pretendo que o este trabalho seja um mediador sensível na exploração das situações de esquecimento e invisibilidade de lugares e práticas perdidas no tempo, com o fim de as resgatar para hoje. Não como um ato de nostalgia nem apenas numa prospeção ontológica, mas como um gesto, uma ação do meu corpo que é capaz de atualizar uma história. 

 

Assim, este trabalho levou-me a analisar a relação entre o fazer manual e a sua transmissão oral. Para isso permaneci nesses lugares observando o tempo lento do fazer das tecelãs pondo-me no seu lugar imitando os seus gestos. Com o decorrer da investigação apercebi-me mais conscientemente da relação entre têxtil e texto e da correspondência entre técnica e conceito. Os conceitos operatórios surgem, portanto, da forma de uso da técnica. As ideias de re-parar, ligação, suspensão e continuidade são os conceitos operativos centrais para este trabalho porque entretecem, tanto na sua ação, como simbolicamente natureza e cultura.   

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